Num claro movimento para reposicionar a Europa no tabuleiro geopolítico global, o Parlamento Europeu aprovou, por uma ampla maioria de 542 votos a favor, um relatório estratégico que aponta o Leste Asiático como pilar fundamental para a autonomia estratégica e competitividade da UE.
O foco recai em parcerias com democracias tecnologicamente avançadas, como o Japão, Coreia do Sul e Taiwan, identificadas como essenciais para reduzir dependências críticas em semicondutores, baterias e matérias-primas, e para responder a práticas económicas coercivas na região.
Os eurodeputados sublinham que, num contexto marcado pela guerra da Rússia contra a Ucrânia e pela crescente influência da China, a segurança europeia está intrinsecamente ligada à estabilidade no Indo-Pacífico, exigindo uma coordenação mais estreita com aliados que partilham valores democráticos e padrões regulatórios elevados.
O plano de ação é ambicioso e concreto: defende-se uma cooperação militar-industrial estruturada com o Japão e a Coreia do Sul, focada em interoperabilidade, desenvolvimento conjunto de tecnologias de defesa, como a aviação e drones, e reforço da cibersegurança. Em relação a Taiwan, o Parlamento pede a criação de um quadro específico de cooperação UE-Taiwan, centrado em semicondutores, inteligência artificial e segurança marítima. O relatório também aborda ameaças diretas, defendendo uma política mais coerente da UE face à crescente cooperação militar entre a Rússia e a Coreia do Norte e às suas possíveis ligações com o Irão.
Numa era de desafios globais interligados, o aprofundamento destas parcerias não é uma opção, mas uma necessidade estratégica para promover uma ordem internacional baseada em regras e garantir a prosperidade e segurança da Europa.
