Na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, realizou-se a 16 e 17 de julho a revisão de meio-termo da Nova Agenda Urbana (NUA), um balanço crucial num momento de crise global.
A agenda, adotada em 2016 para orientar o desenvolvimento urbano sustentável até 2036, é revista numa altura em que 3 mil milhões de pessoas são afetadas pela crise habitacional, mais de 1,1 mil milhões vivem em favelas e assentamentos informais e a urbanização acelerada pressiona solos e infraestruturas.
O Relatório Quadrienal de 2026 do secretário-geral conclui que, apesar de progressos, a implementação da NUA é “desigual e insuficiente”, com os países menos desenvolvidos a enfrentarem graves carências de financiamento e capacidade técnica para um planeamento urbano sustentável.
O balanço não é, contudo, totalmente negativo. A reunião destacou avanços significativos: cerca de 160 países já adotaram ou estão a desenvolver políticas urbanas nacionais, mais de dois terços implementaram programas de habitação acessível e 81% das metas climáticas nacionais (NDCs) já incluem conteúdo urbano, um salto face aos 49% de 2021. Além disso, mais de 13.800 autoridades locais participam ativamente em iniciativas climáticas globais.
Para corrigir o rumo, a diretora executiva do ONU-Habitat, Anaclaudia Rossbach, defendeu que 2026 deve ser um ano de ação, com foco em políticas habitacionais para grupos de baixo rendimento, respostas coordenadas entre todos os níveis de governação e a “localização” dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nas cidades. A reunião culminou numa declaração política que reafirma o compromisso global de implementar a NUA até 2036, usando-a como quadro para uma urbanização verdadeiramente inclusiva, resiliente e sustentável.
Nova Agenda Urbana reforça compromisso sustentável até 2036 | ONU News
