O Conselho de Segurança da ONU realiza em julho de 2026 o seu debate anual sobre violência sexual relacionada com conflitos, numa atmosfera de alarme sem precedentes.
O relatório do Secretário-Geral revela que os casos verificados mais do que duplicaram em um ano, passando de 4.617 em 2024 para 9.788 em 2025, sendo este um número considerado um “sub-registo” devido ao medo das vítimas e à falta de acesso.
A Representante Especial Pramila Patten alerta que os cortes orçamentais severos na ONU e o aumento da militarização têm um “impacto devastador”, reduzindo serviços essenciais para sobreviventes quando estes são mais necessários. O debate, presidido pela primeira-ministra da República Democrática do Congo, Judith Suminwa Tuluka, tem como tema honrar a promessa do direito internacional para as sobreviventes, num contexto em que a violência sexual é usada como tática sistemática de guerra, terror e controlo territorial.
Os epicentros desta crise são claros: o Haiti lidera com 1.868 casos, maioritariamente atribuídos a gangues armados que usam a violência contra crianças para controlar territórios. A RDC viu um aumento de 86% nos casos documentados, enquanto no Sudão as Rapid Support Forces (RSF) são acusadas de alvos étnicos.
Pela primeira vez, o relatório inclui nas suas listas anexas de perpetradores credivelmente suspeitos as forças armadas de Israel e da Rússia, uma decisão que promete acirrar as tensões políticas no Conselho. A ONU documentou incidentes envolvendo forças israelitas contra detidos em Gaza e na Cisjordânia, e 310 casos atribuídos às forças russas, incluindo violência contra prisioneiros de guerra.
Perante este cenário sombrio, especialistas apelam ao Conselho para que passe das palavras à ação, alinhe as listas de perpetradores com regimes de sanções, proteja o financiamento para conselheiras de género e enfrente o fluxo de armas para contextos de alto risco.
Women, Peace and Security, July 2026 Monthly Forecast : Security Council Report
