Na abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC) em Xangai, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou um alerta ambivalente e uma proposta concreta. Definindo a IA como “a maior oportunidade da humanidade no século 21”, Guterres advertiu simultaneamente que ela pode tornar-se “um de seus maiores riscos” se a sua governança permanecer concentrada nas mãos de poucos países e empresas tecnológicas.
Para combater este perigo, o líder das Nações Unidas anunciou que apresentará recomendações para a criação de um Fundo Global para IA, destinado a financiar capacidades em países em desenvolvimento, reduzir a concentração de poder e garantir acesso equitativo a infraestruturas e formação.
Esta iniciativa complementa a Rede Global de Intercâmbio e Cooperação em Capacidades de IA, já apoiada pela ONU e com mais de 20 membros, incluindo a China.
O discurso enquadrou-se na estratégia mais ampla da ONU, que inclui o Pacto Digital Global, o Painel Científico Internacional Independente sobre IA e o Diálogo Global sobre Governança da IA. Guterres definiu três prioridades estratégicas para garantir um futuro justo: 1) Capacitar os países em desenvolvimento para construírem sistemas com os seus próprios dados e idiomas; 2) Estabelecer padrões internacionais de segurança, incluindo a regra ética fundamental de que “seres humanos devem manter o controle sobre todas as decisões que envolvem vida ou morte”; e 3) Garantir a sustentabilidade ambiental da IA, exigindo que as empresas divulguem o seu impacto e usem energia renovável até 2030.
A mensagem final foi uma pergunta crucial para a comunidade internacional: A transformação pela IA irá reduzir as desigualdades globais ou reforçá-las? A resposta, sublinhou, dependerá da capacidade coletiva de democratizar o acesso e evitar que a tecnologia se torne um instrumento de concentração de poder.
Na China, Guterres propõe Fundo Global para superar desigualdades em IA | ONU News
