Às vésperas da final do Mundial de 2026, a Organização das Nações Unidas (ONU) está a usar o palco do futebol para uma causa que vai muito além do espetáculo desportivo. Num evento na sede da ONU em Nova Iorque, intitulado “Um mundo, um jogo, um objetivo”, o Escritório da Juventude das Nações Unidas e parceiros como a Fifa Master Alumni procuram transformar a visibilidade da competição numa plataforma poderosa para a saúde mental e a inclusão social.
A iniciativa, que reúne atletas como o pentacampeão mundial Gilberto Silva, jovens, governos e empresas, combina debates na Assembleia Geral com oficinas de futebol nos relvados da organização. O objetivo é utilizar a linguagem universal do desporto para combater o estigma, promover o bem-estar psicológico e destacar dados alarmantes, como o facto de 1 em cada 7 jovens entre os 10 e os 19 anos ter um problema de saúde mental, sendo que a prática de desportos coletivos está comprovadamente associada a menores taxas de depressão e ansiedade.
O evento também serve para lançar um olhar crítico sobre o ambiente tóxico que os atletas enfrentam. Pedro Trengrouse, presidente da Fifa Master Alumni, alertou para o impacto devastador das críticas destrutivas nas redes sociais, que levam a casos de burnout e afastamento de competições, refletindo um sofrimento que atinge a população em geral.
Olhando para o futuro, o foco desloca-se para a Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil. Trengrouse argumenta que, ao contrário de 2014, quando o foco foi a infraestrutura, a próxima competição deve centrar-se na cidadania e no combate à violência de género e ao feminicídio, problemas graves que o país anfitrião não pode ignorar.
O poder diplomático único do desporto, exemplificado pela rápida adoção da Convenção Mundial Antidoping, apela a que mais agências da ONU abracem o desporto como uma ferramenta eficaz para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, desde a saúde até à igualdade de género.
ONU quer que Copa do Mundo de Futebol deixe legado em saúde mental | ONU News
